Anotações sobre arte #3

Isso aqui foi publicado originalmente pros assinantes e apoiadores do meu canal no Telegram.

Arte não serve pra nada. E isso que faz com que ela seja capaz de adquirir qualquer utilidade.

Tem uma entrevista do Leminski que diz que não existe razão pra poesia, assim como não existe razão pra um abraço. A gente abraça quem a gente ama porque gosta.

E, numa época em que tudo precisa de um propósito maior, é meio difícil aceitar nossa própria banalidade. …


Anotações sobre arte #2

Esse texto foi originalmente publicado no meu canal no Telegram, onde semanalmente leio poemas em vez alta e publico esses textos curtinhos pros assinantes.

Um dos piores hábitos que eu incorporei ao meu processo artístico foi o de ponderar.

Enquanto escrevia o walter igor, cometi esse erro diversas vezes: escrever, ponderar o assunto, ver que eu tinha falado bobagem e mexer na poesia pra corrigir.

Esse hábito (ou vício?) de analisar arte sob um viés acadêmico – ou, mais difícil ainda, com lentes objetivas – é na verdade o que mata a arte.

A arte é um exercício de subjetividade…


Anotações sobre arte #1

Esse texto foi originalmente publicado no meu canal no Telegram, onde semanalmente leio poemas em voz alta, publico textos curtos e envio links que considero interessantes pros assinantes.

Eu tenho pra mim que todo artista precisa ser incompetente.

Pra cantar, por exemplo, eu posso tentar imitar o Caetano Veloso. O Caetano já é meio desafinado – e eu sou desafinado também, mas um desafinado diferente do dele. Quando alguém me vir imitando o Caê, vão achar que eu sou original — porque eu sou péssimo em imitar e, na tentativa, acabo passando longe e cantando do meu jeito.

É tentando…


Um poema em voz alta

Fotografia: Amanda Melo

Esse poema foi lido dia 31/08/2020 aos assinantes do meu canal no Telegram, que pode ser assinado aqui.

Ajo com calma após o estrago:
observando o sangue escorrendo da minha mão
primeiro analiso a faca que abriu o buraco;
vendo que permanece intacta e limpa,
a devolvo à gaveta de sacolas plásticas e, líquida,
espera-se a plaqueta, restando glóbulos vermelhos
onde distingo hemácias e hemoglobina;
com a outra mão, toco a ferida grave:
cicatriza rápido? Agora não, só depois que arde.
E se arde demais basta apertar bastante,
que se não deixa de ser dor pelo menos vira arte.

Gostou do poema? Você pode deixar de 1 a 50 palminhas.

Sou autor do livro walter igor e quinzenalmente escrevo pra newsletter Um gole de poesia, que utiliza poemas como ponto de partida pra artigos abordando as temáticas relacionadas.


Sobre como as redes sociais nos fazem esconder sentimentos negativos

Esse texto foi originalmente publicado na edição #25 da newsletter Um gole de poesia, no dia 1 de setembro de 2020.

Com o rosto cansado
nos íons dum display,
extirpo elétrons numa ligação:

meto na cara, pelo menos,
um sorriso de canto
pois senão sou negativo.
Mas se até o que é proto
é usuário da tristeza
por que eu devia fingir
ser feliz em toda carga?

walter igor

Essa semana, na página palavra falada, eu li em voz (mais ou menos) alta esse poema. E um dos assuntos mais comentados da última edição da minha newsletter, onde eu…


Um poema em voz alta

Fotografia: Amanda Melo

Com o rosto cansado
nos íons dum display,
extirpo elétrons numa ligação:

meto na cara, pelo menos,
um sorriso de canto
pois senão sou negativo.
Mas se até o que é proto
é usuário da tristeza
por que eu devia fingir
ser feliz em toda carga?

Gostou do poema? Você pode deixar as palminhas (de 1 a 50) pra ajudar o poema a alcançar mais gente.

O poema é do livro walter igor, que tá disponível por inteiro, escrito e em voz alta, aos assinantes do meu canal no Telegram. E pode ser comprado na versão física aqui.


Um poema e uma música

Foto: Amanda Melo

Odiar uma substância
não me afasta da dependência.
Mude, mas comece devagar?
Quero, não devia — sentença.
Cresci sem endereço fixo,
de amigos nenhum círculo,
com parentes nenhum vínculo -
e sem sofrer essa vivência.
Cão de rua não sabe, mas há
cães com casa e Pedigree.
Foi na última semana
que extraí o ônus que vivi.
Tenho uns amigos casados,
uns com filhos, mesmo CEP,
e até prejudicados
têm raízes e sementes.
Eu, singularizando semestres,
creio depender da mudança —
já morei com pai e mãe,
só meu pai, minha avó,
tias e primos, vó e vôdrasto,
pai e madrasta, só a bisavó,
há semanas que moro com amigos,
quase sempre eu moro só.
Três estados, sete cidades,
me pergunto qual é melhor:
quatro…


Um poema e uma música

Foto: Amanda Melo

O que difere o vício do hábito é o dano,
então pra me tirar a saudade só rehab.
Caminho na masmorra do castelo há anos
e o vício é não saber que é classe média.
Ibuprofeno é o vício habitual no bolso,
me ancoro no Cefalium que remanesce.
O hábito de ver o rosto dela no Whats
virou vício de almejar o que não posso:
posso ir vê-la mas não posso possui-la.
O que houve com tudo que era nosso?
Nunca houve tanto dano quanto agora.
A cabeça dói, onde fica o occipital?
Não reclamo pra ninguém da enxaqueca
e se eu jazer vai ser sozinho — normal.
Elenco meus vícios no bloco…


No meio da pandemia resolvi lançar meu livro de poesia e um álbum com 12 músicas

Trabalhei por aproximadamente nove meses nesse projeto. O livro, dividido em cartas e folhas de diários, aborda temáticas como sociedade, trabalho, relacionamentos e problemas pessoais. O álbum segue as mesmas temáticas, explorando sonoridades do jazz e do rap, com minha voz entregando as letras num estilo spoken word.

Sei lá, eu me sinto pretensioso demais falando que lancei um livro físico com 119 poemas e um álbum com 12 músicas, disponíveis em todas as plataformas, cada uma com lyric video. Então vou deixar aqui o link pra tu saber mais sobre o projeto:

walterigor.com


E o papel da publicação independente num mercado editorial caótico

Destinatário, na livr… em livraria nenhuma.

Eu detesto esse título, mas tô na vibe caça-cliques.

Antes de mais nada, preciso dizer o seguinte: eu não recomendo que você publique seu livro. O processo é demorado e, no geral, demanda bastante dinheiro e nenhuma garantia de retorno. Mas, nesse texto, eu procurei ser o mais objetivo e específico que pude sobre dois caminhos que segui: um que demanda muito dinheiro, outro que não demanda nenhum. Com essas informações você faz o que quiser.

1. Escrever é a parte mais fácil

Uma coisa que poucos escritores se atentam ao decidir publicar um livro é que a parte mais fácil é escrever. …

Kalew Nicholas

Escrevo coisas de qualidade duvidosa desde que aprendi a assinar meu nome. | kalewnicholas.com/portfolio

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